UM ROLEZINHO EM NARCISÓPOLIS – RETROSPECTIVA QUENTINHA 1

Criei uma Facenovela chamada “Um rolezinho em Narcisópolis”, onde todos os dias eu posto um microcapítulo na minha fan (www.facebook.com/adailtonpontocine?ref=hl  )  e no meu perfil (https://www.facebook.com/adailton.medeiros.332 ).

Muita gente está lendo, comentando, dando palpites, curtindo e até compartilhando. Muito legal isso. Agradeço ao cineasta Alan Minas, que leu o original escrito para outro suporte e me deu esse toque de lançar na rede.

Bom, mas a cada sete dias publicarei o conjunto da semana aqui, com os sete microcapítulos, isso durante sete semanas. Por que tantos setes? – Porque tem muito a ver com Narciópolis, você verá!

 

1 – Narcisópolis não é nenhum Shopping Center, lugar de brancos bacanas e pretos selecionados. Narcisópolis é um bairro do subúrbio da Cidade Maravilha, que fica na Baía do Esplendor.

A convocação aqui é prum rolezinho diário pra visitar a sua vidinha mais ou menos e conhecer seus personagens exóticos, muito mais humanos que muitos que viajam por aqui na internet ou que passeiam nos shopping.

O povo de lá resolveu transformar uma praça pública numa lagoa. Uns dizem que era para eles ficarem se refletindo no espelho dágua e se adorando cada vez mais. Outros, que era por inveja dos pscinões de Ramos e de Deodoro, o primeiro de água salgada; o segundo, doce. A verdade é que todos tinham mania de grandeza, desandaram a cavucar a praça, meteram um gato, fizeram uma puxada clandestina dágua, inauguraram a Lagoa e na primeira pesca pescaram uma sereia, um peixe que virou mulher, a mais bonita e gostosa do pedaço, mas isso fica pro próximo rolezinho.

 

2 – Bete foi pescada pelo Iluminado. Ah, Bete era o peixinho, que virou sereia e numa questão de uma tarde virou um mulherão de dar gosto. Peitão mais apetitoso que o da Mulher Melão, bundão mais saliente do que o da Valesca Popuzuda. Cresceu assim, de uma hora pra outra. Não sabia falar, não teve tempo de aprender, mas provocou uma ciumeira danada em todas as mulheres. Nas casadas então, nem se fala. Não teve uma que não botou seu homem pra casa por causa de Bete.

O Iluminado era um cara sinistro, tinha solução pra tudo, por isso o apelido de Iluminado. A ideia mesmo de fazer um gato e roubar uma pena dágua foi dele. Não só teve a ideia como realizou a operação. O cara era virado. A sacada de inaugurar a lagoa com uma pesca também foi dele, porque lagoa que se preza tem que ter peixe. Dizem inclusive que foi ele que foi pegar os peixes num lugar aí especializado em fornecer peixes vivos, os transportou e os lançou na lagoa. Dizem, mas ninguém afirma, mas isso fica pro próximo rolezinho.

 

3 – Mas antes mesmo da lagoa ser enchida com a água roubada, quem passou por lá foi o Carioca, um louco narcisopolitano. Ficou louco na guerra, dizem. E ali naqueles buracos cavados em plena praça reviveu seus momentos de batalhas. Surtou a ponto de achar que estava em trincheiras. Começou a ver seus compatriotas mortos pra todo lado que olhava. Se jogou no chão, tapou os ouvidos, gritou, olhou pro céu pra pedir proteção a Deus e se deu mal, viu inúmeros aviões a lançarem bombas sobre a sua cabeça. No desespero se levantou e saiu correndo. Em disparada atravessou uma pequena rua que dava na outra praça.

Não é que na outra praça Carioca deu de frente com o menino Macaco, quer dizer com o Chita, o Samuca, Samuel da Bíblia, Samuca da família, Chita da garotada, apelido que ganhou pela grande aparência de seu rosto com a de um macaco, a Chita do Tarzan.

Samuca era o capeta em carne e osso, viu em Carioca um prato cheio, deu logo ordem: – auto lá soldado!  Carioca parou, ofegante bateu continência, mas isso fica pro próximo rolezinho.

 

4 – Poucos minutos antes do encontro com Carioca, Samuca esteve com Jorge Maluco, outro louco de Narcisópolis. Jorge Maluco corria pelas ruas do bairro montado num cabo de vassoura, que dizia ser seu cavalo. Queria casar-se, mas não encontrava noiva que o quisesse. Passou a se penalizar se autoflagelando, com um fio dobrado batia em si mesmo imaginando chicotear seu cavalo: – Corre danado! Corre preguiçoso!

- Que isso? Por que você tá chorando? – perguntou Samuca a Jorge.

- Porque nenhuma moça quer casar comigo. Cansei de ser gente… – retrucou o louco.

- Cansou de ser gente, como assim? – já zombando do pobre infeliz.

- Cansei. Agora eu quero é ser cavalo de vez. Chega, quero ser cavalo!

- Que porra é essa o maluco, ficou doido, virar cavalo…

- doido por quê? Você não virou macaco!

Chita ficou puto, mas isso fica pro próximo rolezinho.

 

5 – No encontro com Carioca, Samuca e Jorge Maluco ainda estavam juntos. Um, menino macaco; outro, homem cavalo. Mas antes disso tudo ainda tinha um rolo danado porque existia a Eurídice, que ficava muito puta quando a molecada gritava “Eurídice vai casar com o Carioca”.

- Eu quero que vocês todos vão queimar nos quintos dos infernos seu bando de merda cagada! – Gritava a louca por baixo de suas múltiplas maltrapilhas vestimentas. Short por cima da rasgada calça comprida que ficava por baixo de uma saia suja. Blusa por cima de blusa e peitos ainda de fora.

A molecada botava a maior pilha, até que Eurídice foi morar no cemitério. Bebia cachaça dos despachos, invadia velórios, dava porrada nos urubus. O cemitério habitado por Eurídice deixou de ser lugar de paz.

Mas ela foi se acalmando e até se acostumando com a ideia de casar-se com Carioca, mas foi aí que entrou Jorge Maluco na sua história, mas isso fica pro próximo rolezinho.

 

6 – O encontro de Chita com Carioca, sob o olhar de Jorge Maluco.

- Auto lá soldado!

- Senhor eu vim de lá do campo de batalha. Tá todo mundo morto. Deve ter alguns feridos. Precisamos de reforço, a minha cabeça tá pegando fogo e eu to meio surdo de tanto tiro. – Disse Carioca, ofegante, descontrolado por dentro, mas numa postura de dar inveja. Havia batido continência pro Samuca e falou tudo isso em posição de sentido.

Jorge maluco ficou mais maluco ainda quando viu aquele soldado, que, como já dito, era oficial, mas pra ele era General. Se há alguns minutos havia decidido que não seria mais gente e sim cavalo, agora tinha outra certeza: queria ser o cavalo daquele general.

- E de que você precisa soldado para chamar reforço? – Perguntou o menino macaco.

- de pelo menos um cavalo para alcançar a tropa, senhor! E nessa hora Jorge Maluco se apresenta, mas isso fica pro próximo rolezinho.

 

7 – Ao se apresentar pro General, sob o comando de Chita, Jorge maluco deu uma risada, um verdadeiro relincho. Rodopiou pra lá e pra cá na frente de Carioca. Gritava de alegria.

- Soldado, monte nesse cavalo, alcance a tropa e manda que todos retornem pra gente vencer essa guerra! – ordenou o menino macaco com sua voz de comando.

Já se pode, Carioca montou nas costas de Jorge Maluco, que envolveu seus braços nas pernas do General, pra dar mais firmeza e, em disparada, foram sumindo no final da praça. Só se ouvia os gritos de felicidade de Jorge Maluco por ser cavalo de patente.

Chita se mijou de rir, assim como outros moleques que estavam escondidos atrás de um muro acompanhando tudo de perto.

Eurídice ficou sabendo dessa história. Passou a beber mais cachaça das macumbas, a ficar mais violenta. Matou um urubu a pauladas e entrou com ele numa capela onde estava sendo velado um ex-vereador local, todo mundo saiu correndo, mas isso fica pro próximo rolezinho.

Adailton Medeiros

Sobre Adailton Medeiros

Fundador e Diretor do Cinema Ponto Cine – 1ª Sala Popular de Cinema Totalmente Digital do Brasil -, e único cinema no mundo a só exibir filmes brasileiros. Recebeu da Ancine – Agência Nacional de Cinema – o Prêmio Adicional de Renda em 2007, 2008, 2009, 2010 e 2011. E pela Secretaria de Estado da Cultura do Rio de Janeiro o Prêmio de Estímulo à Exibição Cinematográfica, em 2009, 2010 e 2011. Adailton Medeiros foi ganhador do Prêmio Faz Diferença do Jornal O Globo, 2008, Categoria Segundo Caderno/Cinema, pelo trabalho de difusão e democratização do acesso ao cinema brasileiro.
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Uma resposta a UM ROLEZINHO EM NARCISÓPOLIS – RETROSPECTIVA QUENTINHA 1

  1. Ricardo Almeida disse:

    A sua empresa e os respectivos projetos têm balanços publicados? Há transparência quanto aos valores recebidos e distribuídos?
    Aonde estariam?
    Como replicar o seu modelo se não se conhece tais números?
    Grato.

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